domenica 22 febbraio 2026

O Acidente (L’incidente) - Bruno Carboni

Joana, una ragazza in bicicletta, di notte, senza casco, nel traffico di una grande città brasiliana, viene investita (e trascinata) di proposito da una macchina, guidata da un donna, col figlio affianco, Maicon, che filma l'accaduto e lo mette in rete.

Joana (incinta, vvie con la compagna, Cecilia) poi trova quella donna (o il contrario) e si crea un rapporto forte fra Joana e Maicon, ma anche, in qualche modo strano , con la madre del bambino.

non succede molto, c'è molto di non detto e un'ultima scena sorprendente.

opera prima convincente di Bruno Carboni.

buona (misteriosa) visione - Ismaele


 

Joana viene investita da un’auto mentre va in bici. Dall’abitacolo un ragazzino, Maicon, ha filmato tutto mentre la madre era alla guida. L’evento innesca una serie di reazioni e legami imprevisti tra Joana, la sua compagna Cecilia e la famiglia responsabile dell’incidente. Partendo da un’esperienza autobiografica, il primo lungometraggio di Bruno Carboni sfrutta l’intreccio fortuito di due esistenze per indagare le possibilità di cambiamento generate dall’empatia; sullo sfondo, differenze di classe da decostruire per permettere la libera esplorazione della propria identità.

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O que o filme parece dar a entender é que, após o atropelamento, o cotidiano de Joana, antes completamente letárgico, ganhou, no mínimo, certa dinamicidade. Um evento, uma imagem, uma gravação, deu novos contornos à vida dela. Não é mistério, tampouco drama: apenas algo a mais, uma nova relação. Em dados momentos, Joana aparenta buscar drama para sua vida – principalmente quando tenta confrontar os pais do menino. É perceptível que a aproximação com Maicon se dá por sentir que os dois são parecidos: quietos, vulneráveis e curiosos. Suas ações, muitas vezes paradoxais, são um modo de dizer que muitas vezes a vida não possui explicações: há apenas uma zona cinzenta que nosso entendimento comum não é capaz de compreender, como diria Friedrich Durrenmatt. Nos últimos minutos do filme, quando Elaine busca dar um ponto final à relação de Joana com Maicon, a jovem a abraça e chora copiosamente. Como se uma parte de si tivesse morrido. E, de certa forma, isso aconteceu. Ela há de deixar Maicon e, com ele, seus segredos e suas partes mais frágeis.

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O Acidente, assim, consegue escapar de uma suposta condição genérica – como, por vezes, o título reducionista pode dar a entender – justamente pelo cuidadoso trabalho que desenvolve tendo o episódio ao qual faz referência no batismo como início da conversa, mas também pelo delicado estudo dos personagens aqui reunidos. Seco, em algumas passagens até mesmo bruto e cortante, mas indo direto ao ponto, Bruno Carboni deixa claro saber o que procura alcançar com esse discurso, ainda mais quando tudo deságua em uma explosão singela, mas poderosa o bastante para eliminar dúvidas e fortalecer aquilo que realmente importa. Um gesto até mesmo simples, mas dono de uma energia tão singular frente a qual se mostra ser impossível manter-se indiferente. Quando pontes são construídas não por iniciativas solitárias, mas pela união de forças, muito mais difícil será derrubá-las. Trata-se de um exercício raro, mas cujo valor não pode – nem merece – ser desprezado. Eis a lição que fica.

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